sábado, 29 de julho de 2017

A minha trajetória nos concursos públicos

E ae pessoal!

Vamos falar hoje de concurso público, dando seguimento para este post. Se preparem para um post bem longo. Por isso preparei a trilogia de concurso público, esse é o post número 2, geralmente o pior da trilogia.. hehehe.. Se quiser pular o post, fique à vontade.
No post nº 3 terá mais dicas sobre a estratégia e o que recomendo nos concursos públicos.

O pior dos 3, hehehehe..

Esse post relata com mais detalhes a minha história.

A minha trajetória nos concursos públicos


Lá pelos idos de 2007, enquanto cursava engenharia, ouvi falar de concursos públicos, mas não me interessava pelo assunto. O meu objetivo era me formar, juntar uma grana e experiência trabalhando como empregado e depois abrir um escritório de engenharia. Lembro que meu pensamento nessa época era "estou estudando engenharia, então quero ser engenheiro porra". Acredito que era um pensamento típico de estudante de engenharia na época do "boom" na economia brasileira.

Após formado, fui efetivado na empresa onde fazia estágio, só que fui trabalhar em um projeto em outro estado. Neste projeto, trabalhava por volta de 10 horas por dia, 6 dias por semana, morando em uma casa dividida com outros engenheiros. Não conseguia fazer nada além trabalhar, no domingo só conseguia dormir para poder chegar na segunda e trabalhar mais. Só podia visitar minha namorada (atual Dª. Ligo) e família que moravam na mesma cidade 1 vez por mês! Ou seja, qualidade de vida zero. Nem me aprofundar nos estudos de engenharia conseguia, pouco tempo e cansaço eram meus companheiros mais fiéis.

Então cansado dessa correria toda, da exaustão frequente, da falta de tempo, falta de liberdade comecei a pensar em opções de como sair daquela vida. Desde pedir demissão e tentar encontrar um emprego mais perto de todos ou até estudar para concurso público. Pensei durante algumas semanas, pesquisei sobre concursos públicos e decidi largar o emprego, voltar para casa dos meus pais e estudar para concursos durante 6 meses. Me espelhando em um conhecido que tinha sido aprovado em um cargo muito bom a pouco mais de 1 ano. Pensava que seria mais fácil largar tudo agora, no início da vida profissional do que mais velho.

Com exceção da minha namorada, que de fato foi a única pessoa que me apoiava, após comunicar a minha decisão, fui duramente criticado por todos, principalmente minha família. Meu pai não conseguia esconder o descontentamento com minha decisão.


Meu foco inicial era o concurso da Receita Federal que era anunciado que estava com edital próximo de ser publicado. Trabalhei por mais 1 mês antes de sair da empresa. Saí no final de junho. Juntei a grana que pude para sobreviver na casa dos velhos e pagar um cursinho que iria iniciar no mês seguinte (julho).

O meu planejamento era: estudar para concursos e concomitantemente procurar emprego na minha cidade. Se não passasse nesses primeiros 6 meses de estudo, o foco se inverteria. Seria trabalhar e no tempo que sobrasse continuar o estudo.

De volta a casa dos meus pais, iniciei o cursinho. Aula no período da manhã e estudo nos períodos restantes. Cacete, como foi difícil no início, já estava acostumado a só ver números nos livros de engenharia. Tentava estudar as disciplinas de direito e não entendia nada. As aulas eram muito boas, o estudo em casa é que não rendia, era pesado, além disso era disciplina para boné, não fazia ideia de como conseguir estudar tudo aquilo.

Até que após 1 mês nessa rotina, navegando na internet, descobri o fórum concurseiros. Caralho, aquilo foi uma revolução na minha vida de concurseiro. Desde as dicas do Alexandre Meirelles, Deme, William Douglas até os excelentes materiais do Ponto dos Concursos e outros. Vi que o material que estudava era ruim, por isso, para um iniciante nesse caminho mais atrapalhava do que ajudava.

Após ler e reler as dicas de todos, readequei a minha rotina para colocar algumas em prática, principalmente a parte do ciclo de disciplinas. Adquiri alguns materiais, consegui organizar um local mais isolado em casa para estudar e fui para cima. 

Mas mesmo assim era muito pesado por causa de 2 coisas: 
1 - Não sabia estudar. Exatamente, não tinha um método/estratégia para rever e gravar os conteúdos. Era só leitura do material e sublinhar as coisas que achava importante.
2 - A "energia" em minha casa, para o meu propósito era muito "negativa", devido a reprovação dos meus atos por todos. Cheguei a ouvir de meu pai que não fazia sentido eu estar cansado após um dia de estudos, pois eu não tinha feito nada, porque estudar não cansa. Foda.

A única coisa que fazia além de estudar era me encontrar com minha namorada. Era nesses momentos que recuperava as energias e o ânimo. Foram fundamentais para me manter no caminho.

O edital da RFB saiu em setembro com provas em dezembro. Em outubro recebi uma proposta de emprego de uma empresa da cidade que prontamente recusei, para fúria de meus familiares. Estava focado no plano e nos estudos. No mesmo mês saiu um edital de concurso da prefeitura de uma cidade próxima a que eu morava com provas em novembro que resolvi fazer pois seria ideal caso não entrasse na receita, um plano "B".

Já em novembro, nos 15 dias antes da prova do concurso da prefeitura peguei o período da noite para estudar para esse concurso. No dia da prova, fui com a faca nos dentes, pois era 1 vaga para engenheiro. Abaixei a cabeça para resolver a prova e só a levantei na hora de ir embora, tamanho o foco que estava neste dia.

Em dezembro, à uma semana da prova da RFB minha vida mudou. Na segunda-feira dessa semana, resolvi estudar na biblioteca pública da cidade. Caralha, tudo simplesmente fluiu! Não havia mais aquele peso nas costas. Mesmo estudando "errado", pela primeira vez em meses o estudo rendeu.

Nunca fui espírita ou qualquer coisa desse tipo, mas a partir dessa semana acredito que a energia do local de estudo é fundamental para aprovação. No meu caso, o estudo em casa não rendia porque a energia era negativa ao meu propósito. Sei que parece difícil acreditar nessa parte, mas acontece.

Fiz as provas para os cargos de auditor e analista. Não passei em nenhum, pois o meu ponto fraco que era Contabilidade foi muito cobrada nesse certame. A essa altura da minha vida concursística, adquiri mais experiência, mais conhecimento sobre os concursos públicos, os melhores cargos a concorrer, como me preparar para as provas e o mais importante que era me conhecer melhor. O restante do mês eu tirei para descansar.

Em janeiro saiu o resultado do concurso da prefeitura e eu tinha sido aprovado em primeiro lugar. Então, seguindo o plano que tracei, comecei a me preparar para assumir o cargo, conhecendo melhor a cidade, alugando casa e etc. No mês seguinte já estava trabalhando na prefeitura a todo vapor. Como o salário era baixo, conseguia me manter sem problemas e com relativo conforto morando sozinho.

Após estabilizado no serviço e na cidade, voltei a rotina de estudos. Saía as 17 horas do trabalho e às 17:03 horas (isso mesmo, 3 minutos) já estava em casa. Estudava em 2 períodos sendo: 17:30 até 20:30 e 22:00 até 24:00. No entanto, o meu foco mudou. Resolvi que queria ganhar mais, não importa o cargo. Então analisei vários editais de concurso cujo os cargos pagavam bem e cheguei a conclusão que quase todos tinham as mesmas matérias básicas que são: Português, Direito Constitucional, Direito Administrativo, Redação e Inglês.

Decidi que iria ficar fera nessas disciplinas para depois adicionar outras no ciclo. O estudo fluía como nunca! Não tinha ninguém ali para me "secar". Comecei a fazer resumos do material estudado que foram fundamentais para gravar tudo. Nesse período, seguindo a dica de um colega concurseiro, comprei um livro que mudou muito a forma que encarava o concurso público: Manual de um Concurseiro - O caminho das pessoas comuns do Alex Viégas, um auditor da receita federal.

O livro demonstra o como encarar o concurso, desde método de estudo e estratégias a serem abordadas na hora da prova até o lado psicológico do concurseiro.

Em abril foi publicado um edital de um concurso que tinha um salário muito bom, mas eu estava hesitante em fazer o concurso pois teria que mudar para outro estado. Em uma conversa por telefone com minha namorada em uma madrugada, ela me incentivou a fazer o concurso "porque passar era uma coisa e assumir eram outros 500". Então resolvi me preparar para a prova. Caiam todas as matérias que estava estudando e tinha que apenas adicionar a legislação aplicada ao cargo e os conhecimentos específicos de engenharia.

O estudo da parte da engenharia foi apenas por exercícios resolvidos, naquela época não havia material condensado para concursos em engenharia como existe hoje. A legislação eu apenas lia as leis e anotava as partes mais importantes. Estudava como estivesse disputando a última Coca-Cola no deserto. Foco e gana total!

No final de maio foi a prova, fiquei de pé ao lado da sala de provas até o ultimo minuto, para não cansar de ficar sentado e perder a concentração. No que recebi a prova, só levantei a cabeça para ir embora. Lembro que saí até meio tonto da sala de provas.

Já no final de junho saiu o resultado, eu tinha sido aprovado mas fora das vagas. Fiquei muito feliz, porque vi evolução no meu estudo e que estava no caminho certo. Uma semana depois recebi um telegrama me convocando para assumir o cargo! Caralha, eles tinham aumentado as vagas e chamado os excedentes! Foi uma alegria enorme para todos que acompanharam a minha luta. Porra, foi muito bom esfregar a aprovação na cara dos putos que duvidavam de mim.

As vezes as coisas acontecem como se tivessem sido planejadas. Na metade de julho o contrato da casa que tinha alugado terminava então não precisei renovar ou pagar qualquer coisa. Pedi exoneração na prefeitura e na metade do mês de julho já tinha tomado posse do novo cargo. Cargo que estou até hoje.

Após assumir o cargo, até continuei os estudos de concurso público, para concorrer uma vaga no TCU, mas parei. Não tinha mais aquela "fome", aquela "gana" e a falta disso não te deixa focar no objetivo, principalmente em um objetivo que demorará para chegar. Quem sabe um dia essa chama volte a arder e aí eu volto com tudo para os estudos. Enquanto isso vou tentando ganhar mais $ em outros locais.

Concurso público vale muito a pena! O caminho até ele é árduo, mas vale a pena. No próximo post vou falar da parte mais "operacional" dos concursos. Estratégias que usei, melhores cargos na minha opinião e outras dicas para a galera que tá nessa luta.

É isso aí por hoje pessoal. Desculpem o post muito longo.

Bons investimentos, estudos e trades a todos.

Grande abraço.

17 comentários:

  1. Muito bom post.

    Ótimo conhecer a sua historia e experiência nos concursos publicos, obrigado por ter partilhado.

    Em tipo de engenharia que se formou?

    Abraço e bons investimentos

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    1. Valeu pela visita e comentário DIL.

      Vou ficar te devendo o tipo da engenharia que me formei, para assegurar melhor o anonimato.

      Abraço.

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  2. Parabéns Ligo pela jornada.
    Sua história é parecida com a minha. Estudei 6 meses, mas morava sozinho. Como eu pagava tudo. Ninguém teve a audácia de falar mal. Acho que meu pai falou alguma coisa de leve para minha mãe, mas eu falei que não dependia dele, então ele se calou.
    Hoje também funça. Rsrs.

    Abraços.

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    1. Valeu Cowboy!

      E parabéns pela sua luta também! Realmente o que é comum da galera da finansfera é a luta e a vontade de ser bem sucedido. Me orgulho muito em fazer parte dessa galera.
      Grande Abraço!

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  3. Sou funcionário público em cargo baixo e já fiz alguns outros concursos depois de entrar no emprego que estou.
    Em um desses concursos fiquei entre os dez primeiros, como haviam duas vagas não consegui o emprego.
    De 2015 pra cá as empresas estaduais e federais reduziram o número de concursos e eu fiz apenas um ainda em 2015.
    Vou ser bem sincero não me animo muito em fazer um concurso do nível de concursos de tribunais regionais que pagam 5 ou 6k pra ensino médio e uns 10k para superior, geralmente são poucas vagas para milhares de inscritos, mesmo considerando que a maioria dos inscritos não vão disputar de fato a vaga porque ficarão no máximo com notas medianas, considero esse tipo de concurso quase uma loteria.
    Meio ponto pode significar a perda de uma vaga. O que mexe com a gente é nível salarial que é tentador.

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    1. Valeu pela visita Anon!

      Esses concursos para tribunais regionais estão cada vez mais difíceis, pela alta concorrência, exige um preparo digno de receita federal/polícia federal. E para piorar, a grande parte desses concursos é para cadastro reserva, o que eu acho um absurdo!

      Abraço!

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  4. Boa Ligo,

    Quando trabalhava no setor privado no Brasil, o concurso publico era uma alternativa. Teve um período que fiquei quase 10 meses morando em outro estado, sem qualidade de vida.

    Isso ai, nao deixem falar que voce não pode!

    Abraços do BnA

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    1. Valeu pela visita BnA!

      Qualidade de vida é fundamental, às vezes nem o dinheiro consegue te pagar isso.

      Abraço!

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  5. Amigo, belo post! O primeiro que li do teu blog, gostei.

    Se possível, faça como os outros amigos da finansfera e coloque aquela "caixinha" no seu blog, pra cadastrarmos nosso e-mail e assim recebermos todo novo post.

    Ansioso pelo próximo com as dicas de estudo.



    Anon Bolsonaro

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    1. Valeu Anon Bolsomito!

      Vou procurar implementar a ferramenta em um futuro próximo.

      Abraço!

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  6. excelente post!
    em tempos de crise, é bom ouvir histórias inspiradoras como a sua... pelo que leio, fica cada vez mais claro que a briga é "vc contra vc"... superando limites e tal.

    Abraço!
    PD7

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    1. Essa é a grande verdade PD7!

      Nosso maior inimigo/adversário/concorrente encontra-se dentro de nós mesmos. E é o adversário mais implacável que tem. É necessário muita garra e determinação para vencê-lo.

      Abraço!

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  7. Cara muito foda esse seu relato parabéns realmente é gratificante ver histórias de gente que vence as adversidades e energia negativa da propria família, sei muito bem o que é isso aí.

    Familia colocando pra baixo porque você nao faz o que eles querem, ou eles sentem inveja/recalque por não terem tido as mesmas "oportunidades" que você(na cabeça deles se tivessem as mesmas "vantagens" seriam melhores que você) ao invés de se sentirem felizes e orgulhosos de conseguirem proporcionar algo melhor para os filhos.

    lembro quando passei no mesmo ano em eng pra federal e no concurso pra nivel medio do TRE pessoal de casa falava que nao era mais que a obrigaçao pois eu só estudava e não tinha cansaço e nem do que reclamar porque tinha comida na mesa teto pra morar e cursinho que na epóca a mensalidade era o valor de 6 almoços. Pra piorar ainda diminuiam meu mérito porque eu só "estudava",mas o filho de um dos amigos deles trabalhava o dia todo de vendedor numa loja no shopping e pagava uma uniesquina e já comprou até uma moto honda biz...

    conselho que dou se afaste dessas pessoas negativas aos poucos e reduza o contato ao minimo necessário, vai ver o bem danado que vai fazer na sua vida.

    Abraço meu caro e tudo de bom pra ti!

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    1. Valeu Anon!

      Remar contra a maré e sozinho é muito foda.

      Já venho seguindo o seu conselho a algum tempo, com esse tipo de pessoa tento me relacionar o mínimo possível. E de fato tem me feito muito bem.

      Grande abraço!

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  8. Cara, curti bastante sua história. Parecida com a minha.

    Vou acompanhar teu blog, até já adicionei lá na blogroll do meu.

    Depois dá uma passada lá

    http://diariodefinancasonline.blogspot.com.br

    Abraços e fica com Deus

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    1. Valeu DFO!

      Já está adicionado, vou acompanhar o seu blog!

      Grande abraço!

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